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Estudo: 740 mil casos de câncer no mundo estão associados ao consumo de álcool

Desses, 14% são de pessoas que bebem apenas moderamente, afirma pesquisa global publicada pela The Lancet Oncology; no Brasil, são 20,5 mil casos



Um estudo global publicado na revista científica The Lancet Oncology aponta que 4% dos novos casos de câncer diagnosticados em 2020, o que representa 740 mil pacientes, podem estar associados ao consumo de álcool. Apenas no Brasil foram 20,5 mil casos.


Ainda de acordo com a pesquisa, o grupo mais atingido são os homens (77% dos casos) e os tipos mais comuns da doença associado com álcool são de câncer no esôfago (189.700 casos), fígado (154.700) e mama (98.300), seguidos por colorretal, boca e garganta.


"Precisamos urgentemente aumentar a conscientização sobre a ligação entre o consumo de álcool e o risco de câncer entre os formuladores de políticas públicas e os consumidores. Estratégias de saúde pública, como redução da disponibilidade de álcool, rotulagem de produtos alcoólicos com advertências de saúde e proibições de marketing podem reduzir as taxas de consumo", afirma Harriet Rumgay, uma das autoras do estudo, da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (Iarc), da França.


Rumgay recomenda ainda que os países adotem políticas fiscais e aumento de preços que levaram à diminuição do consumo de álcool na Europa.


"O contexto local é essencial para uma política bem-sucedida em torno do consumo de álcool e será fundamental para reduzir os casos de câncer relacionados ao consumo de álcool", defende.


As regiões da Ásia Oriental e da Europa tiveram 6% dos casos de câncer relacionados ao consumo de álcool. Esses foram os locais com as maiores proporções, enquanto no Norte da África e na Ásia Ocidental esse índice ficou abaixo de 1%.


Em nível nacional, as proporções de casos de câncer associados ao álcool foram estimadas como mais altas na Mongólia (10%, 560 casos) e mais baixas no Kuwait (estimado em 0%, menos de 5 casos).


O Brasil teve aproximadamente 20.500 casos de câncer ligados ao álcool, o equivalente a 4% das ocorrências identificadas no levantamento. É uma taxa semelhante a vista em Reino Unido (16.800 episódios), França (21.500) e França (20 mil). O ranking é liderado por China (282.300 casos) e Índia (62.100).


Segundo a pesquisadora, o estudo destaca a contribuição mesmo de níveis relativamente baixos de consumo de álcool para as taxas de câncer, o que segundo ela é preocupante, mas também sugere que pequenas mudanças no comportamento público podem impactar positivamente as taxas futuras da doença.


"As tendências sugerem que, embora haja uma diminuição no consumo por pessoa em muitos países europeus, o uso de álcool está aumentando em países asiáticos, como China e Índia, e na África Subsaariana", afirma Rumgay. "Além disso, há evidências de que a pandemia de Covid-19 aumentou as taxas de consumo de álcool em algumas nações".


Além da Iarc, também participaram do estudo o Centro de Vício e Saúde Mental (Canadá), a Universidade de Toronto (Canadá), o Centro de Pesquisa e Informação sobre Abuso de Substâncias (Nigéria), a American Cancer Society (EUA), a Comprehensive Cancer Organization (Holanda) a Erasmus MC University Medical Center (Holanda), a Sechenov First Moscow State Medical University (Rússia) e a Technische Universität Dresden (Alemanha).


Pesquisas anteriores demonstraram que o consumo de álcool causa danos ao DNA por meio do aumento da produção de substâncias químicas nocivas no corpo e afeta a produção de hormônios, o que pode contribuir para o desenvolvimento do câncer. O álcool também pode piorar os efeitos cancerígenos de outras substâncias, como o tabaco.


De acordo com o novo estudo, entre os 740 mil casos de câncer associado ao consumo de álcool, 39% (291 mil) são em pessoas que bebem de 20g a 60g por dia (entre duas e seis doses); e 47% (346) de quem consome mais de 60g (seis doses).


No entanto, o consumo moderado de álcool também foi considerado problemático, com estimativas de que esse nível de consumo representou 14% (103.100 casos) do total de casos causados ​​pelo álcool.


Metodologia


No estudo, os pesquisadores usaram os níveis de ingestão de álcool por pessoa por país de 2010. Ou seja, dez anos antes dos dados de casos de câncer, por conta do tempo que leva para a ingestão de álcool afetar o possível desenvolvimento da doença.


Em seguida, relacionou essas informações com a estimativa de casos de câncer em 2020 para chegar ao número de episódios associados ao álcool em cada país.


No entanto, a pesquisa conta com algumas limitações, incluindo o efeito potencial da pandemia de Covid-19, que afetou comportamentos, como o consumo de álcool e serviços de câncer em muitos países. Portanto, isso pode ter afetado os riscos de câncer e as taxas de diagnóstico.


Além disso, a análise do estudo não levou em consideração o consumo anterior de álcool ou quaisquer relações entre tabaco ou obesidade com álcool. Assim, o estudo pode ter atribuído erroneamente ao álcool casos que foram motivados por outros fatores, como o fumo.


Outro problema é que os registros de casos de câncer podem ser de qualidade limitada, especialmente para países de baixa e média renda.


Fonte

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