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Sistema cardiovascular é diretamente afetado pelo estresse

Em contrapartida, a resposta do sistema cardiovascular às influências neuro-hormonais também impactam no aumento de estresse



O estresse, que sob o ponto de vista da ciência quer dizer “medidas de adaptação a situações de mudança, na esfera mental ou emocional”, é um dos maiores problemas das sociedades modernas. Em uma situação de estresse, o organismo humano redistribui suas fontes de energia antecipando uma agressão iminente. Esse mecanismo de adaptação é vantajoso se realmente houver perigo iminente. Entretanto, se esse estado persistir por muito tempo, o chamado estresse crônico (aquele do indivíduo “estressado”), os sintomas e depois os danos, serão inevitáveis.


A cultura popular há muito associa o estresse agudo e crônico com o desenvolvimento de doenças, corroborado por inúmeros estudos epidemiológicos e experimentais que demonstram uma ligação entre o estresse mental e o aparecimento e curso de muitas doenças, desde simples infecções virais, até úlceras gástricas e neoplasias. O sistema cardiovascular possui ampla participação na adaptação ao estresse, sofrendo, por isso, as consequências da sua exacerbação.


A suspeita de que estados de estresse mental agudos e crônicos sejam fatores de risco para maior morbimortalidade por doença cardiovascular é antiga. Entretanto, a adequada comprovação científica deste fato somente vem sendo obtida mais recentemente. Muitos profissionais ainda encaram com certo ceticismo esta associação, encontrando dificuldade em valorizá-la na prática clínica, embora o estresse mental seja uma das principais queixas de pacientes, e um dos fatores de risco para esse grupo de doenças mais difícil de enfrentar.


A vida consiste de um equilíbrio dinâmico, constantemente alternando estados de estresse e equilíbrio. Desta forma, as forças que nos alteram desencadeiam respostas adaptativas geradas pelo organismo. Os organismos multicelulares se adaptam a essas situações através de complexas alterações neurais, hormonais e celulares, envolvendo múltiplos órgãos e tecidos. O organismo humano desenvolveu um sistema complexo, constituído por componentes do sistema nervoso central, periférico e glandular: o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e o sistema nervoso autônomo, cuja principal função é manter a homeostase no repouso e em situações de estresse. Este sistema exerce importante influência em muitas funções vitais, como a respiração, o tônus cardiovascular e o metabolismo intermediário, que também são alteradas por estados de estresse.


Atualmente, as pesquisas focam na importância da interpretação subjetiva do estresse e em suas repercussões nos diversos sistemas de forma aguda e crônica.


O sistema cardiovascular participa ativamente das adaptações ao estresse estando, portanto, sujeito às influências neuro-humorais. As respostas cardiovasculares resultam principalmente em um aumento da frequência e ritmo cardíacos, de sua contratilidade, volume de sangue ejetado a cada ciclo cardíaco e pressão arterial.


Em relação aos sintomas, de acordo com a constância do emprego destes mecanismos adaptativos, há o desencadeamento com estímulos cada vez menores, e que em certo momento representam reforço ao próprio estímulo, um verdadeiro ciclo vicioso, que em situações extremas é denominando por alguns de Síndrome do Pânico, onde a pessoa literalmente perde o controle de seus sistemas adaptativos, com sensações que variam desde palpitações, tonturas, ansiedade, até a sensação de morte iminente. Nessa situação, geralmente o indivíduo finda por recorrer a um serviço de urgência, para avaliação e controle dos sintomas. Isso, se não chegar a desenvolver quadros mais severos, como emergências cardiovasculares (Infarto Agudo do Miocárdio, Acidente Vascular Cerebral, entre outros), felizmente mais raras nesse caso.


Em um próximo artigo, discutiremos as formas objetivas de quantificar e abordar estes tipos de desequilíbrios, assim como maneiras de prevenir e tomar atitudes que evitem que tais quadros se desenvolvam, levando, desde consequências importantes sobre a qualidade de vida do paciente e o risco aumentado de sequelas e até mesmo, óbito.


Fonte | Texto por Otávio Eboli | Cardiologista

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